quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

5 Minutos - O Navio (Gambiarra Literária )

Turner, J. M. W. - The Grand Canal - Venice

 

 

o nome de

um navio tem de ter

o nome de uma mulher
de uma deusa grega
o nome de uma tempestade

o nome de uma estrela
de uma amante
o nome de uma princesa africana

não pode ter um nome sombrio
pois dá azar
a um navio civil
não cabe nomes geopolíticos
reservados à vasos de guerra

creio que o nome de meu navio
seria o teu

 

 

 

 http://gambiarraliteraria.blogspot.com.br/2011/12/5-minutos-o-navio.html

 

5 minutos de gambiarra

5 Minutos - Mural Mental (Gambiarra Literária)







no centro da parede
de meu quarto
um ramo de bambu


5 minutos de gambiarra

5 Minutos - Receita (Gambiarra Literária)



pão


para fazer um pão
são necessárias mãos
e um amor infinito
ao ato da alimentação

para fazer um infinito
é preciso usar as mãos
como se fosse fazer um pão



5 minutos de gambiarra

- Por que vocês estão fazendo isto?






Sempre que sou convidado pelos meus inúmeros amigos professores e pessoas envolvidas com educação, vou a escolas para falar com os estudantes, muitas vezes sobre o ato de escrever, ou sobre um autor ou assunto específico à área, toda vez que se abre um espaço, leio um poema ou outro. Tenho feito isto com frequência. Em geral os alunos são interessados, fazem boas perguntas, afora um outro grupinho mais impertinente, estes encontros costumam ser bem prazerosos.

Um dia, falando sobre Solano Trindade em uma escola de EJA – Educação de Jovens e Adultos, a EMEJA Clarice Lispector em Mauá-SP , um senhor me fez uma pergunta muito interessante, que me pôs em cheque. E olha que sou um respondedor nato, especialista em assuntos aleatórios, dificilmente deixo uma pergunta sem resposta, mas esta calou-me.

Após a explanação sobre o poeta, eu e o outro escritor que me acompanhava, abrimos para perguntas, e entre várias perguntando do poeta e sua vida, uma atravessou o assunto:

- Por que vocês estão fazendo isto?

Imediatamente respondi que foi a convite da professora de história. e que eles iam participar do Concurso Camélias da Liberdade, quando este senhor me interrompe,

- Não, isso eu sei, eu quero saber por que vocês estão aqui? Sem receber  nada,  usando seu tempo livre, falando com a gente: Por que vocês estão fazendo isso?

Cara que pergunta fantástica, vindo de um trabalhador que devia estar acordado desde muito cedo, trabalhou o dia inteiro e provavelmente estava sem jantar, tentando aprender alguma coisa em uma escola municipal, mostrou-se um grande filósofo ao elaborar uma questão tão crucial, mesmo que aparentemente simples.

Primeiro lhe falei da grande sacanagem que ele fez, uma vez que pelo menos para mim, esta não era uma pergunta fácil de responder. E certo: Não consegui responder a pergunta; dei uma enrolada básica, falando um monte de coisas sem falar nada.

Até hoje tento sem qualquer sucesso responder esta pergunta, que muitas vezes faço para mim mesmo,  só ouvindo o eco.

Por que estamos fazendo isso?  Por que fazer arte e lutar por cultura de qualidade para as pessoas?  Por que nadar contra a corrente? Por que não terminei a faculdade de economia e tornei-me um gerente de banco na Holanda como meu amigo hippie daqueles tempos? Por que vivo batendo de frente com autoridades pedindo mais espaço e dinheiro para a cultura (tornando-me muitas vezes persona non grata em certos lugares)? Por que desta santa teimosia?

E por fim a pergunta de fato que o senhor do EJA nos queira fazer: O que ganhamos com isso?

Ainda estou a tentar formular uma resposta satisfatória.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Cumpanheiro, com muito orgulho.

O arsenal - Diego Rivera (1928)
 


Tenho lido com certa frequência, o uso da palavra companheiro grafada “cumpanheiro”, como forma pejorativa e muitas vezes como se denotasse algo ruim ou que remetesse ao uso somente de pessoas de um determinado partido que utilizasse esta palavra, ou sua forma abrasileirada.

O primeiro aspecto, e o que mais me preocupa, é que esta distinção demonstra nitidamente um preconceito social e certa xenofobia aos nordestinos, parcela da população brasileira considerada “ inferior”  por um grupo de pessoas que se auto afirmam como superiores por sua origem européia ou oriental, mormente estrangeira, pseudo educação e cultura acadêmica e um pensamento de elite positivista do século XIX.

Nada mais falso, somos tão ínfimos e precários como criaturas vivas sobre a terra, que qualquer crença de superioridade é descabida. Caminhamos todos juntos para o extermínio da espécie, por uma ilusão de desenvolvimento e riqueza que está esgotando rapidamente os recursos do planeta e a existência da vida se dá em bases tão precárias, que uma única  tempestade solar poderá acabar com toda a nossa tecnologia em alguns segundos. 

Aprendi a ouvir a palavra “cumpanheiro”, da boca de pessoas maravilhosas, que apesar de todo o peso que a vida lhes pôs aos ombros, tinham a decência de serem solidários, companheiros, lutadores e terem uma visão aguda de mundo, muito mais apurada que muito acadêmico jamais terá.  Pessoas em que pude e posso confiar minha vida e que não me apunhalarão pelas costas por mais uma migalha. Quem vê com escárnio seu linguajar, não deveria ter merecimento de pisar este chão pátrio que tanto depende do homem do campo,  das pessoas dependuradas nos andaimes, construindo estas pequenas caixas que nos servem de esquife. Como é fácil o esquecimento, se pudessem conversar com seus avós, eles lhes contariam uma história de privação e sofrimento na velha terra, de que muitos vieram para o Brasil para não morrer de fome, sobretudo que muitos se tratavam por companheiros, anarquistas em busca de uma terra que não estivesse subjugada pela nobreza agrária.

O segundo aspecto, vê o tratamento companheiro relacionado à um único partido brasileiro, o que é uma profunda inverdade, o tratamento companheiro foi adotado pelos socialistas de língua portuguesa, companheiro vem  dos camaradas de luta, dos sindicatos, dos movimentos estudantis, muitos ainda utilizam-se do tratamento camarada, mas que em geral é mais usual entre os comunistas de tradição marxista, já que os anarquistas, anarcossocialistas   e comunistas libertários também comumente se utilizam deste tratamento, portanto companheiro é uma tratamento socialista, independente de qualquer partido ou de partidos, que nunca serão um instrumento em si, mas uma ferramenta de luta. Por isso surgem novos partidos, o que importa é a causa e talvez seja este o objetivo primo da zombaria, querem por toda maneira, apagar o brilho de uma luta que vem de muito tempo e que não se limita às nossas fronteiras geográficas.

Portanto, por mais que os arautos do ódio queiram embotar esta palavra, sempre me sentirei orgulhoso, quando uma pessoa humilde, um brasileiro de cepa  me cumprimentar desta maneira. Cumpanheiro, com muito orgulho.
 

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Foz do Brasil



Diário do Grande ABC - Palavra do Leitor - 22/10/2012




Recebi uma cobrança de um conta não paga da Foz do Brasil, no entanto o Banco do Brasil onde tenho conta se recusa a receber minha conta, não tenho tempo para ficar em filas, e é absurdo que os problemas da Foz com o BB venham a me prejudicar, já basta não conseguirmos colocar este débito em cobrança automática. Estou pensando em buscar assistência jurídica, uma vez que a não disponibilização da cobrança bancária para mim se caracteriza como recusa de pagamento, o que pela legislação brasileira quita a débito.

Além disto o constrangimento que sofro em não conseguir pagar o débito e uma cobrança logo em seguida, isto caracteriza constrangimento ilegal e uma forma de assédio moral e poderia principiar uma denúncia por perdas e danos morais.

Quero soluções.

 @MaisBB

.@fozdobrasil Problemas da Foz do Brasil com o BB me causam constrangimento, não consigo pagar, mandam uma cobrança mal educada. #fozfail